• juliana rabelo

Era uma vez...

Era uma vez um raio de sol que se apaixonou por uma gota de orvalho. Ele a visitava todas as auroras, naquele breve instante em que o mundo visível e o invisível se encontram, antes da humanidade despertar. A gota ria conforme o raio a atravessava e a fazia brilhar em diferentes tons de azul e verde, que nem ela sabia ter dentro de si. E assim também se apaixonou por ele. Um dia, cansada de se equilibrar na beira da sua folha, a gota adormeceu e caiu no chão. O raio ficou muito triste pois não a conseguiu encontrar. E chorou. Chorou com força. Suas lágrimas imundaram o mundo. E encontraram a gota adormecida dentro da terra. A abraçaram com carinho, e se tornaram uma coisa só. Mas o raio nao sabia e continuou triste. Depois de alguns dias de tristeza, o raio resolveu encher o peito de saudade em vez de dor, e voltar a brilhar. E imundou o mundo agora com a sua luz. A sua luz era tanta que atravessou a terra e encontrou a gota adormecida, agora imensa após ser alimentada pelas lágrimas. A gota resolveu então sair da terra e procurar o raio de sol pelo mundo. Mas para encontra-lo ela sabia que precisaria de pernas para correr pelos bosques e asas para voar pelos campos, não poderia mais ser gota presa a uma folha. Assim, ela pediu a deusa mãe que a transformasse, e a deusa, fã do amor e da vida, a atendeu. Então a gota se fez fada, com olhos de gotas de orvalho. E o raio de sol a encontrou, e pintou de luz dourada seus cabelos, suas asas e sua pele. Nunca mais a deixou. A fada cresceu e se fez mulher. A mulher cresceu e se fez mãe de duas fadinhas de orvalho, que com ela aprendem a voar e a brilhar, enquanto a mãe semeia pelo mundo de outras crianças amor em forma de gotas de luz e calor.

Mari e seus encantos.


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